Primeiro dia - Casa do Roque nas pedras azuis, 13 km de Paraty.
Às sete da manhã praticamos yoga com a Patrícia e uma turma.
Então, seguimos para o café da manhã da Roça e fomos para o bambuzal; tiramos as varas que já estavam cortadas da lua minguante passada - elas tem que ficar um mês em pé no lugar onde foram cortadas para que a seiva saia.
Levamos para a entrada do sítio num alicerce circular que já estava pronto, para começar a montagem da estrutura. Um outro grupo começou o trabalho da fabricação de tijolos cru (adobe: terra amarela, areia e palha - particularmente); medimos a quantidade de material, no caso: quatro de terra, um de areia e um de palha, acrescentamos água e batemos/misturamos com os pés; para em seguida moldar os tijolos na fôrma e deixar secando no sol.



À noite, seguimos para o Quilombo Campinho da Independência, onde configuramos a rede, com terminal burro (todas com software livre edubuntu) e tambem a internet, que não funcionava. Seguimos para o restaurante do quilombo, fomos muito bem recebidos pela comunidade e servidos com sopa de mandioquinha, lá mesmo, montamos o Cine Clube que passou durante toda a noite filmes de histórias de vários quilombos de todo o Brasil.
Mais tarde um grupo de congada se apresentou, e todas/os dançamos, cantamos e participamos do festejo , como consta nas fotos que estamos publicando, na seqüência seguiram as projeções de vídeos de congadas e outros.


Segundo dia
A prática de yoga começou às 8 da manhã, seguido novamente de um farto café da manhã.
Enquanto algumas pessoas participavam de uma oficina de pão integral um outro grupo de pessoas seguia para a construção da casa de adobe, subiram as paredes com os tijolos feitos no dia anterior e foram fabricados mais 17 tijolos com a mesma técnica que relatamos ontem.



O mesmo grupo, depois, continuou a montagem da estrutura de bambu e pela manhã e seguimos para o almoço, a conclusão deu-se pela tarde quando subimos bambus que sustentavam a parte de cima, gravando e retratando registros de toda a experiência que será publicada logo mais aqui. No fim da tarde, enquanto começamos a juntar algumas fotos e iniciar este o relatório, algumas pessoas fazem oficina de gravação de áudio com um ensaio espontâneo de pessoas tocando violão, gaita e cantando, além do som da natureza, invocado pela cachoeira. A idéia é publicarmos este relato anexado de tutoriais das oficinas realizadas. Seguiremos essa noite novamente para o Quilombo do Campinho Independência para ver a apresentação de Maracatu.


Terceiro dia
Yoga as seis da manhã, dessa vez além de registrar, participei ativamente realizando os movimentos e as respirações para um melhor funcionamento do corpo para as atividades que logo começaria. Com um pouco de atraso começamos as oficinas de Adobe e a montagem do pentágono. Fizemos mais alguns tijolos e começamos a erguer as paredes da casa de Adobe (sensacional). Existe a possibilidade de pintar as casas de Adobe com várias cores com barros diferentes. A montagem do pentágono além do prazer de ver a construção tomar forma, tivemos que usar um pouco de força e depois do almoço, foi barra.
A realização dessas obras de arte com materiais da natureza me provou o quanto os índios, quilombolas e outros nativos vivem sem gastar com materiais de construções e realizam as atividades com muito prazer. Em breve vamos disponibilizar fotos de construções feitas de Adobe que são inacreditáveis.
Na parte cultural as seis e meia tivemos uma oficina de áudio muito legal com direito a flauta, violão, gaita e tudo mais. Em breve uma oficina de construção de instrumentos com bambu.
As nove no Quilombo rolou maracatú, e a nossa reunião em volta da fogueira. Vimos o quanto precisaríamos uns dos outros e o quanto o Pontão estava proporcionando essa integração. As idéias bateram, fluiu! Foi oferecido um jantar especial com direito a feijoada, caldo verde, saladas, sucos, pastéis… Colocamos os nossos conhecimentos em software livre e a experiência com a militância no Hip-Hop à disposição do grupo, que o convite veio de imediato. Participar do evento “Café com Hip-Hop” em uma área carente de Paraty, registrando e participando de um debate.
Retornamos as bases com uma alegria muito alucinante que mal chegamos e já colocamos em prática as experiências aprendidas na imersão em Paraty. Fico lisonjeado em ser um dos bolsista do Pontão, de mostrar o nosso trabalho que já desenvolvemos desde 2001 e dizer que: hoje eu sou Pontão e ninguém vai me segurar!!!
Relato do K2, multiplicador do Circo Voador Digital